Vinte anos em vinte minutos

Na última sexta, 22, reencontrei uma colega com quem estudei durante o Ensino Fundamental e Médio. Sabe aquela pessoa discreta, quietinha no seu canto, mas que se faz valer pela inteligência e constância? Pois é. Esta era a Regiane durante nossa vida escolar conjunta na adolescência. Foi uma das alunas mais inteligentes da sala, tanto que hoje é professora na escola que me convidou a falar com os alunos do 9º do ensino fundamental. Além da oportunidade de falar com os alunos sobre empreendedorismo debaixo do tema “Educação para a Vida”, pude receber o carinho da escola em que fiz minha formação básica. Respondi perguntas, aconselhei os adolescentes sobre trabalho e carreira e, o que me fez escrever este texto: contei um pouco da minha trajetória.

Ao final da minha palestra para os alunos, fui à sala dos professores tomar um café. Minha ex-colega de sala me acompanhou até a sala e durante o percurso, recebi desta colega um feedback que me impressionou muito. Ela me disse:

“Quando fiz minha formação em Pedagogia, li uma frase que dizia assim: “Tem aluno que não dá conta da escola e tem escola que não dá conta do aluno. Eu sempre busquei saber o que você estava fazendo porque você foi um aluno que a escola não deu conta. Eu falava de você para a Marta (Diretora) e dizia que, você era uma pessoa que não precisava frequentar a escola. Os professores traziam assuntos e você já começava a completar o raciocínio deles e dava uma aula sobre o tema. Quando você deixou o ensino médio para trabalhar, a gente entendeu que era porque a escola tinha ficado pequena para você…

Daí eu te procurava para saber o que você tinha feito da vida. Eu tinha comigo que você tinha terminado o Ensino Médio num supletivo, tipo o CESEC mesmo, e tinha feito uma formação superior depois, porque você sempre foi muito inteligente. Daí um dia, você foi fazer uma palestra no Instituto Donato e minha irmã trabalhava lá. Ela chegou em casa e me disse: “Regi, você estava certa sobre aquele seu colega de escola. Ele foi dar uma palestra lá na empresa e, de todas que eu já assisti lá, a do Symon foi a melhor”. Daí ela me passou seu site e comecei a ver seus vídeos no YouTube.

Eu tive um problema de saúde, depressão pós-parto tardia, que me levou a procurar ajuda psicológica e psiquiátrica. Eu saía bem de lá. Mas ficava uns dois dias e voltava a me sentir mal de novo. Foi bom, porque descobri que meu problema tinha origem na minha relação com a minha mãe, mas se eu fosse ficar buscando causas eu ia ficar presa lá no passado para sempre. Aí um vídeo seu me ajudou muito. Você falava sobre programação neuro-linguística. Eu entendi porque eu saía bem do consultório e ficava desanimada depois. O psicólogo usava técnicas que me faziam sentir bem, mas não me ensinava a fazer sozinha. Com seu vídeo eu aprendi a fazer esse controle das ideias.

Mudei meu comportamento com a minha mãe e isso melhorou até ela também. Ela já faz tratamento com antidepressivos há 21 anos. Este foi o primeiro ano que ela disse que não quer tomar remédio mais, que vai buscar outras formas de se cuidar. Seus vídeos me ajudaram a aprender a lidar com meus familiares e isolar as ideias que me prejudicavam. Agora quero que você ajude meu marido que está num dilema profissional. Foi muito bom você ter vindo aqui na nossa escola hoje! ”

Ao entrar no carro para ir embora, pensei que eu deveria ter ido lá antes. Durante vinte anos me senti frustrado por ter abandonado o ensino médio, um mês antes do término do segundo ano. Me sentia um fraco, um cara que “não deu conta da escola”, pois busquei escapar de um problema de relacionamento com um colega de quem era próximo, mas que se envolvera no tráfico de drogas e roubo. Eu não soube como lidar com isso, tive vergonha de pedir ajuda dos meus pais e por isso saí da escola. Apesar de ter escolhido construir uma vida prática – baseada em habilidades da vida real como vendas, marketing, rede de contatos, educação continuada e ter criado uma marca pessoal forte – o fantasma da não-graduação me perseguia. E por uma confluência de fatores, hoje de manhã, durante uma conversa de vinte minutos, uma ex-colega de escola que observava tudo do seu cantinho, calou uma voz dissonante na minha cabeça há 20 anos, e renovou meu espírito empreendedor, com uma frase: “Você foi um aluno que a escola não deu conta”.

WhatsApp Image 2019-11-24 at 23.18.03 (1)

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: