02 – Curso de Comunicação

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Como combinado na aula inaugural, toda quarta, posterei o conteúdo da próxima aula, aqui no blog, para que você saiba o que vamos discutir e comentar na aula de sábado. Ou seja, o texto a seguir servirá de base para nossa aula de sábado, 11 de janeiro.

Tema da aula:

PORQUE A COMUNICAÇÃO SE TORNOU UMA “ARTE ESQUECIDA”?

A boa comunicação é a base das boas relações interpessoais. Todos nós sabemos que ficar sem contato com os outros é um castigo cruel desde a infância. Intuitivamente, as crianças sabem que a falta de companheirismo gerada pela ausência de comunicação é uma maneira dolorosa de punir alguém. Na realidade, a falta de comunicação é um caso de vida ou morte.

[2] O primeiro a concluir isso, provavelmente foi Frederico II, imperador alemão de 1196 a 1250. De acordo com um historiador medieval, ele promoveu um teste onde mães adotivas e amas de leite de recém-nascidos podiam cuidar apenas das necessidades físicas dos bebês (como amamentar, dar banho e trocar), mas, eram proibidas de conversar com eles ou demonstrar qualquer afeto. Como resultado, após quatro meses de rejeição, as crianças morreram. Não conseguiram viver sem o carinho, as palavras afetuosas e as expressões faciais das mães.

[3] Em nossos dias, pesquisadores estudaram a importância da comunicação num estudo de isolamento, onde convidaram cinco homens a ficarem trancados em um quarto escuro. O primeiro aguentou oito dias. Outros três suportaram dois dias, sendo que um deles ao sair do quarto exclamou: “Nunca mais!” O quinto homem suportou o teste por apenas duas horas. Mesmo no caso de quem gosta de ficar sozinho, a solidão pode ser excruciante, como ilustra o caso do navegador Carl Jackson que passou 51 dias velejando pela costa do Oceano Pacífico. Ao voltar à terra firme, ele disse que “sempre se julgara autossuficiente”, mas, descobriu em alto mar que, “a vida sem as pessoas não faz sentido” e concluiu: “A solidão no segundo mês foi martirizante…”. Isso se dá porque a comunicação está associada à satisfação de necessidades humanas básicas.

[4] Em sentido físico a falta de comunicação e relacionamentos satisfatórios tem o mesmo impacto negativo sobre o corpo que problemas de saúde tão reais como o câncer. Pesquisadores médicos descobriram uma forte relação entre os relacionamentos íntimos e o bem-estar físico. Por exemplo, isolados sociais tem três vezes mais probabilidade de morrerem prematuramente do que as pessoas com fortes vínculos sociais. Homens divorciados antes dos 70 anos morrem por problemas relacionados à hipertensão três vezes mais do que seus equivalentes casados. O índice de todos os tipos de câncer é cinco vezes maior tanto para os homens quanto para as mulheres divorciados, em comparação com pessoas da mesma idade, mas que ainda mantém o vínculo social do casamento. Em outro estudo, numa aldeia galesa, cidadãos que perdiam um parente próximo morriam um ano depois, num índice cinco vezes maior do que as pessoas que não tinham perdido nenhum ente querido.

[5] Nosso senso de identidade é outro exemplo de uma necessidade humana básica satisfeita pela comunicação. Quem define se somos bonitos, competentes e elegantes, não é a imagem no espelho, mas a reação dos outros a nós, ou seja, a resposta dos outros ao nosso comportamento. Isso equivale dizer que o modo como interagimos com os outros é a única maneira pela qual aprendemos quem somos. Privados da comunicação com os demais, não teríamos uma noção de quem somos ou poderíamos ser.

[6] Pense ainda em como a comunicação satisfaz sua necessidade de convívio social. Alguns cientistas afirmam que a comunicação é o principal meio pelo qual os relacionamentos se iniciam. Através da comunicação, muitas necessidades emocionais são satisfeitas. Sentimos prazer quando conversamos com alguém que é divertido e nos alegra com sua conversa. Demonstramos afeto quando visitamos uma pessoa querida após um período de luto (nem que seja apenas para mostrar a ela que nos importamos). Sentimo-nos incluídos quando entramos em uma roda de amigos para não ficarmos sozinhos. Quando queremos evitar uma tarefa desagradável, experimentamos a sensação de fuga, por conversar com o colega da mesa ao lado ou matar o tempo até o relógio de ponto marcar o fim do período. Relaxamos quando simplesmente jogamos conversa fora em um bate-papo descontraído. Sentimos o controle da situação quando fazemos solicitações a outras pessoas, ou reivindicamos algum direito. Isso sem falar no uso da comunicação para alcançar objetivos práticos. Como você explicaria para o cabeleireiro o tipo de corte em seu cabelo, se não conseguisse se comunicar de um modo que pudesse ser entendido? Na prática, não existe trabalho em que se comunicar bem não faça uma grande diferença para o sucesso. Pense em seu próprio dia-a-dia: o “trabalho de verdade” é apenas parte da tarefa; na maior parte do tempo você está lidando com pessoas. Portanto, se formos capazes de nos comunicar bem, isso pode ser computado como, no mínimo, metade das nossas realizações.

[8] Ora, se a comunicação faz tanto bem e é tão importante para os seres humanos, porque as pessoas se comunicam tão mal?

*

 [9] Se você for até a garagem de um prédio e olhar para as colunas, ficará tentado a pensar, a partir desta observação a olho nu, que as colunas por si mesmas não são suficientes para sustentar o peso do prédio inteiro, mesmo estando localizadas em pontos específicos da construção. Elas parecem finas demais para suportar tanto peso. Literalmente, você estaria certo se concluísse isso. Mas qualquer pessoa com um pouco mais de conhecimento sobre construção civil saberia que na base de toda coluna, abaixo do solo, está uma estrutura de aço, no formato de uma gaiola, preenchida com concreto. Estas gaiolas são as ‘sapatas’ do prédio que ficam enterradas, imperceptíveis depois de a obra ter sido acabada. Em geral, quanto maior o prédio, maiores as dimensões das sapatas. Assim, da próxima vez que você olhar para um prédio, não olhe apenas para a proporção das colunas. Tente imaginar a dimensão das sapatas que o sustentam, pois esta parte ‘escondida’ da estrutura é a verdadeira responsável por mantê-lo de pé.

[10] De maneira similar, para entendermos como os problemas de comunicação se tornaram arranha-céus e de que forma se sustentam, não adianta olharmos apenas para o que é visível a olho nu. Muitos tentam melhorar a comunicação por aprender sobre habilidades separadas, como feedback, escuta ativa ou oratória. Estas habilidades são importantes, mas não mostram nada acerca das causas reais do problema. As habilidades isoladas são como as colunas. Cada problema de comunicação tem suas causas peculiares e trataremos delas individualmente mais adiante, em especial, a partir do Livro II. Neste momento é preciso entender que as causas da comunicação ruim são mais profundas. Ela é em si mesma um problema maior do qual os outros são apenas uma parte visível, assim como as colunas fazem parte da estrutura, mas quando vistas de maneira isolada não suportam o todo – não representam o problema – em sua complexidade. Assim, precisamos levar em conta o que está escondido dos nossos olhos e que nunca é mencionado: a falta de ensino específico sobre a comunicação interpessoal.

[11] A fundação desta base começa a ser feita ainda na infância, dentro de casa, com a falta de estimulo por parte dos pais. Estes delegam muitas vezes o ensino da comunicação para os professores na esperança de que eles saibam o que estão fazendo. Incapazes de resolver este problema, muitos centros educacionais cedem a influências do mercado de trabalho, repleto de equívocos e modismos. Em base pessoal, agora já depois de adulto, o sujeito não consegue nem mesmo perceber como os ruídos de comunicação o atrapalha de usufruir melhor seus relacionamentos. Em todos estes casos, a falta de ensino está presente. Sendo assim, a estrutura da comunicação ruim tem em sua base a: falta de estímulo por parte dos pais; o ensino equivocado de professores; o hábito de pensar a partir de modismos do mercado de trabalho e; o desconhecimento dos ruídos psicológicos.

*

Consideraremos a partir da próxima aula como estas causas escondidas sustentam a comunicação ruim.

Se você perdeu a aula inaugural do curso, realizada no último sábado (4) Confira:

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