06 – Curso de Comunicação

Olá! Seja bem-vindo. Para a aula do sábado, 08/02, vamos usar o texto deste post como base. A aula será transmitida pelo meu canal do YouTube, onde ficará salva e ao vivo pelo Instagram.

Prepare-se e até lá!!

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RUÍDO É A EXPRESSÃO USADA pelos cientistas sociais para definir qualquer força que interfira na comunicação. Esta força pode ser de ordem externa, que incluem fatores fora dos interlocutores que os impeçam de falar e ouvir claramente, como também distrações; de ordem fisiológica, quando um dos comunicadores possui uma deficiência física, como um problema de dicção ou de audição; ou psicológica, quando um dos comunicadores tem sua capacidade de se expressar ou compreender prejudicada por fatores inconscientes, como o caso da senhora no aeroporto citado anteriormente.

[2] Destes três tipos de ruídos, o psicológico é o mais perigoso. Os ruídos externos e fisiológicos são facilmente identificáveis. Você os nota rapidamente ao sentir seus efeitos, como por exemplo, um som alto no apartamento ao lado, a dificuldade de escutar o que o outro está falando ou problemas de dicção para falar corretamente. No entanto, os ruídos mentais são imperceptíveis e não fomos ensinados a percebê-los. De modo geral, não sabemos identifica-los e associar seus efeitos a eles com a precisão e velocidade necessários para neutralizá-los. Desde que passamos a trabalhar mais com a mente do que com o corpo estamos expostos constantemente a distrações que dão brecha para problemas de comunicação muito mais sutis do que simplesmente não prestar atenção ao outro. É cada vez mais comum estarmos fisicamente presentes e mentalmente ausentes. Assim, um ruído psicológico refere-se aos problemas de comunicação totalmente desconhecidos pelos interlocutores. Estes ruídos vão desde uma atitude do receptor, que ouve apenas o que lhe interessa e se apega mais a sua opinião do que ao conteúdo da mensagem, até reações mais adversas como agressões e abusos verbais.

[3] Em minha análise dos problemas de comunicação, identifiquei alguns ruídos psicológicos bem específicos e facilmente observáveis na comunicação diária. O primeiro deles é a distorção. Já percebeu como as pessoas distorcem as mensagens que recebem?  Quanto mais pessoas estiverem envolvidas no processo de comunicação, maior o risco de distorção da mensagem. Cada um de nós tem um jeito diferente de processar a informação e interpretar o que acontece. Muitas vezes um mal-entendido surge na transmissão de uma mensagem, graças ao ruído causado pela distorção.

[4] O individualismo é outro ruído mental, que impede a pessoa de enxergar as coisas do ponto de vista de quem fala e a faz rebater o que está sendo dito sem antes ouvir e avaliar o assunto por completo. Isso tira o brilho da comunicação interpessoal, por que é como rir de uma piada, antes que a pessoa que a está contando termine. Perde a graça e interrompe a outra pessoa, além de ser uma falta de respeito.

[5] Outro ruído terrível que beira ao pecado é a discriminação ou deixar-nos guiar por estereótipos. Certos termos, como branco, negro, pobre, rico, operário, patrão, português, caipira, gaúcho, entre outros, tem uma conotação negativa que predispõe a pessoa a não dar a devida atenção ao que está sendo dito por minar a credibilidade de quem está transmitindo a mensagem. As diferenças que existem entre os seres humanos é que moldam os ambientes em que a comunicação acontece. Saber respeitar o outro e aceita-lo é a base para comunicar-se com maestria.

[6] Um ruído muito comum entre os homens é a competição inconsciente. Já percebeu que em uma roda de amigos, quando um deles conta uma piada e todos riem, logo em seguida – como se fosse uma questão de honra – alguém tem que contar outra piada melhor do que a primeira? Sem contar que, em uma relação de hierarquia, o indivíduo que está sujeito ao cargo do outro, muitas vezes se sente frustrado e proíbe-se de ouvir o que o outro está dizendo. Quando é preciso estabelecer um diálogo, ambos querem se fazer entender cortando a palavra um do outro. A competição inconsciente é uma espécie de concorrência mental.

[7] Os dois últimos ruídos mentais muito comuns nas interações cotidianas são a transferência e a projeção inconscientes. A primeira caracteriza-se quando o receptor tem um sentimento em relação a uma pessoa parecida com o interlocutor e transfere estes sentimentos para ele, indispondo-se ao que está sendo comunicado. Resultado? Não há comunicação. Imagine por exemplo, que você tenha estudado em um colégio dirigido por um padre muito rígido. Anos depois, você conhece um padre com personalidade parecida com a do diretor do colégio e começa a transferir para ele, todas as suas impressões sobre o exemplo do passado, o que o levará a evitar a pessoa que acabou de conhecer.

[8] Por outro lado, a projeção inconsciente, nos faz acreditar que o interlocutor tem intenções que nós teríamos no lugar dele. Isso é perigoso, por que faz com que fiquemos com o ‘pé atrás’ em relação ao que o outro está falando e assim não prestamos atenção ao que ele realmente está transmitindo. O famoso ditado, “um malandro reconhece o outro” nem sempre é válido. Na maioria dos casos, pode ser apenas uma projeção (Towne, 1999, p. 181; Weil, 1971, p. 98).

[9] Agora, considere o seguinte: quantos destes ruídos psicológicos você conhecia? Saberia identifica-los em sua vida diária? Além dos ruídos de ordem externa e fisiológica, precisamos aprender a reconhecer os ruídos psicológicos que causam (e sustentam) problemas de comunicação que prejudicam os relacionamentos. Quanto mais rápido uma pessoa aprender a identificar ruídos psicológicos, mais rápido ela aprenderá a resolver problemas de comunicação.

[10] Estas causas da má comunicação são como uma camisa de força. Não ser ensinado e se apegar a modelos obsoletos, aprender modismos e desconhecer ruídos dá a falsa sensação de que a comunicação é uma habilidade natural que apenas alguns possuem e muitos param de se preocupar com a falta dela se adaptando a uma comunicação ruim.

[11] Chegar a este entendimento sobre as causas da comunicação deficiente, foi para mim um alívio e ao mesmo tempo, um peso. Afinal, o problema que envolve a comunicação é mais sério do que eu pensava no início. Mas permitiu também que eu compreendesse porque muitos preferem não aprender a se comunicar melhor. Temem que ao melhorar a comunicação, isso traga mais problemas para suas vidas. Afinal, se o problema na sapata de um prédio compromete toda a estrutura de um edifício, ele pode ser resolvido abandonando o prédio e derrubando a construção. Por outro lado, no que tange à comunicação interpessoal, não há a possibilidade de abandonar a vida em sociedade e viver como um ermitão. As causas da má comunicação em si mesmas, ao invés de trazer respostas ao problema que sustentam, geram uma série de perguntas que precisam ser respondidas.

[12] Por exemplo, como saber se sua habilidade de comunicação atual pode ser melhorada ou se o que você já experimentou em matéria de relacionamentos é tudo o que se pode experimentar? Que riscos uma mudança neste campo trará à pessoa que você é? Havendo margem para melhorar sua comunicação, até que ponto isso pode ser feito sem utopia e de forma equilibrada? Que impacto uma mudança deste porte pode trazer aos seus relacionamentos atuais? E qual o caminho mais curto se é que existe um?

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Gostou? Confira a aula que foi ao ar no dia 01/02/2020:

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