07 – Curso de Comunicação

Esta aula vai dar o tom do nosso curso! Nela, descobriremos como se tornar um bom comunicador a partir de cinco habilidades a serem desenvolvidas. Aproveite e se atualize sobre as competências dos grandes comunicadores!!
A aula irá ao ar pelo canal do YouTube, no sábado, 15 de fevereiro, às 20h00.

O QUE FAZ DE ALGUÉM UM BOM COMUNICADOR? Como se mede a comunicação eficaz? É importante compreender que há a interferência de pelo menos três variáveis que impedem uma definição ‘científica global’ do que é ser um bom comunicador. Fatores como a cultura dos comunicadores, as circunstâncias em que a comunicação ocorre bem como a natureza de cada relacionamento interferem diretamente na forma como a comunicação se dá. Por exemplo, os norte-americanos tem uma maneira de se expressar pautada pela autorrevelação e pela clareza – característica que pode ser considerada agressiva pelos japoneses que são, culturalmente, mais discretos e sutis. Numa pesquisa feita com grupos étnicos diferentes, perguntando sobre o que mais valorizavam na amizade, descobriu-se que entre os afro-americanos o mais importante era a aceitação e respeito, enquanto os anglo-americanos prezavam mais o reconhecimento das necessidades individuais. Já os asiático-americanos, valorizavam mais a preocupação mútua e o intercambio de ideias e os latinos a demonstração de apoio relacional (Adler, 1999, p. 16).

[2] Uma piada que faz sentido para colegas de trabalho no mesmo nível hierárquico pode ser imprópria com um supervisor ou até mesmo na presença de um cliente. A natureza de cada relacionamento, o que funciona ou não para os comunicadores, define se a mensagem será interpretada corretamente ou não. Por estes fatores, percebe-se que definir a competência de um comunicador não é tarefa das mais fáceis. Mesmo entre os estudiosos da comunicação, não há uma definição precisa do que é comunicação competente. A maioria aceita que a eficácia da comunicação está vinculada aos resultados obtidos pelos comunicadores. Existem cinco características que são marcantes em comunicadores eficazes (aqueles que alcançam resultados esperados) que podem ser desenvolvidas com esforço concentrado. Estas características minimizam os efeitos das diferenças culturais, circunstanciais e de natureza relacional. São elas: (a) a complexidade cognitiva; (b) um repertório de comportamentos; (c) habilidade de usar o melhor comportamento de acordo com a situação; (d) automonitoração para observar a si mesmo; (e) um senso de compromisso com o relacionamento em questão.

[3] A complexidade cognitiva, termo usado para explicar a habilidade de pensar como os outros pensariam. Robert Greene define isso como ‘pensar dentro’ da cabeça do outro. A complexidade cognitiva é essencial para aqueles que desejam desenvolver empatia, visto que ser capaz de esgotar as possibilidades que expliquem o ponto de vista do outro é uma habilidade necessária, já que nem todos conseguem expressar seus sentimentos e pensamentos com clareza. Ter uma variedade de estruturas mentais para analisar as situações envolvendo outros é uma habilidade dos comunicadores competentes. E aqui está a diferença entre a complexidade cognitiva e a especulação: se a situação que lhe diz respeito.

[4] Por exemplo, um amigo se queixa do seu comportamento durante um momento difícil para ele. Ele se recusa a conversar com você sobre o assunto e manda recados por terceiros. Se você tem a capacidade de pensar como ele pensaria, procurará explicações para a reação de seu amigo antes de ir falar com ele. Será que ele está chateado com algo que você falou, fez ou deixou de fazer? Será que ele está passando por problemas específicos que você poderia ajudar se soubesse claramente do que se trata? Será que você foi mesmo descuidado ou ele está agindo de modo muito sensível? Esgotar as possibilidades que expliquem o ponto de vista do outro é a base da empatia.

[5] Um repertório de comportamentos é deveras importante, visto que a mesma situação pode eliciar diversas reações. Por exemplo, um colega de trabalho conta uma piada preconceituosa ou obscena que o deixa constrangido. Como você reagiria? Entre as mais diversas reações, você poderia:

  • Deixar para lá, visto que daria mais trabalho explicar para o colega o seu ponto de vista do que relevar a situação;
  • Afastar-se do colega, dar um “gelo”, embora reconheça que isso não resolva o assunto;
  • Pedir para uma terceira pessoa falar com ele sobre este comportamento ofensivo;
  • Expressar claramente seu desagrado e pedir a ele que pare com isso;
  • Insinuar seu constrangimento na esperança de que ele perceba;
  • Exigir que ele pare definitivamente de contar piadas deste tipo em sua presença.

[6] Todas estas reações podem ser válidas, porém, muitas pessoas não sabem como reagir em situações assim. É sabido que um comunicador incompetente sempre reage da mesma forma em diversas situações. Assim como um músico que só conhece uma nota, um comunicador ineficaz possui apenas uma resposta diante das mais diversas situações.

[7] Obviamente, saber usar estes comportamentos de acordo com o contexto, envolve levar em conta o tempo e o lugar em que as coisas acontecem. A reação correta no tempo errado, ou no lugar impróprio, pode levar ao fracasso da comunicação. Ainda, o conhecimento que se tem da outra pessoa – seu modo de se comportar, sua posição social e sua personalidade – também faz diferença. Uma pessoa agressiva pode ser intimidadora. O modo como falamos com uma criança é diferente de como nos dirigimos a um idoso. Em todos estes casos, seu objetivo em relação à pessoa pode ajuda-lo a descobrir como agir em relação a ela. O fato é que existe uma escolha de como agir.

[8] A automonitoração é uma característica interessante dos comunicadores eficazes. Consiste na capacidade de avaliar o próprio comportamento de um ponto de vista isento. Quem de nós nunca pensou estar perdendo tempo diante de uma situação, agindo como idiota ou deixando uma oportunidade escapar pelos dedos. Mesmo com a plena consciência disso, parece que só nos damos conta quando essa voz que temos dentro da cabeça nos aponta claramente o nosso comportamento. A separação entre nossa identidade e nossas ações é fruto da automonitoração. Pessoas que estão conscientes de sua comunicação e do impacto que tem sobre os outros são melhores comunicadores e mais precisos em suas colocações, além de lembrar-se de informações sobre os outros, como por exemplo, o nome delas. O automonitoramento permite um afastamento que dá ao comunicador as condições de responder a pergunta “Como estou me saindo?” e mudar de comportamento caso não gostem da resposta.

[9] Por último, nota-se que os comunicadores competentes tem um compromisso com o outro. Levam o relacionamento a sério e demonstram isso em palavras e ações. Dedicam tempo para ouvir o outro. Falam menos e perguntam mais para obter informações. Fazem questão de demonstrar em ações que as ideias dos outros importam e que possuem a flexibilidade necessária para mudar seus comportamentos após um feedback apropriado. Este compromisso com os interlocutores faz com que os comunicadores que o demonstram sejam mais eficazes e obtenham melhores resultados por encorajar as pessoas demonstrando preocupação genuína com o bem-estar delas.

*

[10] Estas cinco características fazem de uma pessoa um comunicador eficaz em diversos contextos de comunicação, garantindo resultados satisfatórios. Ao longo deste livro, desmembraremos cada uma delas. Entretanto, pode ser que esta rápida análise destes indicadores de sucesso na comunicação tenham lhe trazido à mente algumas dúvidas até certo ponto comuns quando se inicia estudos sobre a comunicação interpessoal e seus resultados relacionais. Por exemplo, tornar-se um comunicador competente aumenta a influência de uma pessoa. Este fato faz com que muitos rejeitem o conhecimento sobre a comunicação por julgarem erroneamente que “ter habilidade com as pessoas” os tornarão “manipuladores”. Na raiz desta dúvida está a confusão entre manipulação e influência.

[11] Outros, rejeitam aprender sobre comunicação por acreditarem que ter habilidade com as pessoas é antiético – como se agindo assim, tratassem o outro como simples objeto – transformando seus relacionamentos numa relação eu-isso. Daí a importância de entender o que é a ética e como ela se relaciona com a influência. O ponto central desta discussão gira em torno da homogeneização das noções de ética e moral. Por isso é de suma importância desmembrar estas duas noções se havemos de entender como a ética – a arte da convivência – pode ser preservada e até promovida por comunicadores competentes.

[12] Como última objeção ao aprendizado sobre a habilidade com as pessoas, nota-se que muitos deixam de melhorar sua comunicação porque pensam que ter habilidade com as pessoas fará com que sejam ‘falsos’ em seus relacionamentos mais íntimos. Esta conclusão equivocada se dá porque aprender sobre comunicação exige uma mudança de postura (espero que isso tenha ficado bem claro). Logo, ao mudarmos nossa atitude e maneira de agir em nossas interações pessoais, as pessoas próximas sentem esta mudança e reagem a ela. Por isso, a sensação de que a pessoa está tentando ser ‘diferente’ do que era. Em termos bem simples, é exatamente isso. Mudar e ser diferente, não são ações ruins se a mudança trouxer mais harmonia para a sua vida. Manter certos relacionamentos pode ser prejudicial. Por isso, aprender sobre a naturalidade de cada relação interpessoal será útil.

[13] Como introdução aos três capítulos que se seguem, considere o seguinte: (1) se você desconhece o poder de processos de influência, se expõe ao risco de ser manipulado; (2) se não conhece a diferença entre ética e moral, terá dificuldades para respeitar os direitos dos outros e fazer valer os seus; (3) se não percebe o que torna os seus relacionamentos mais próximos, verdadeiramente íntimos, existe uma grande chance de se apegar a relacionamentos insalubres e não enxergar isso. Com estas três hipóteses em mente, leia com atenção os capítulos que se seguem.

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