11 – Curso de Comunicação

envolvia a atividade de sugar o sangue de um cachorro muito rápido. Assim, uma comentou com a outra:

– “Sabe qual é o nosso problema? Nós não estudamos o suficiente por isso não aprendemos a voar, só sabemos saltar; daí nossa chance de sobreviver quando somos percebidas pelo cachorro é zero! É por isso que as moscas vivem por mais tempo que as pulgas. Elas voam”. E elas se matricularam num curso profissionalizante ministrado pela ‘Master Mosca’, que lhes mostrou como aprender a voar e, depois de um tempo saíram voando…

Passado algumas semanas, a primeira pulga disse para outra:

– “Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas no corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada da pata dele. Temos de aprender a fazer como as abelhas que sugam o néctar e levantam voo rapidamente”. Desta vez, elas contrataram o ‘Treinamento da Abelha Rainha’, que lhes ensinou a técnica do ‘chega-suga-voa’. Funcionou, mas não resolveu. A primeira pulga chegou e explicou o porquê: “Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos que ficar muito tempo sugando. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito. Temos de aprender com os pernilongos o que eles fazem para se alimentar com aquela rapidez”.

E o Dr. Pernilongo lhe prestou assessoria para expandir o tamanho do abdômen. Resolvido, mas por poucos minutos. Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar nele. Foi aí que encontraram uma pulguinha feliz, que surpresa ao revê-las, disse: “Uai, vocês estão enormes! Fizeram plástica?”. A que as outras duas responderam: “Não, fizemos uma reestruturação. Agora somos pulgas preparadas para os desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento”. Curiosa, a pulguinha perguntou: “E porque vocês estão com cara de famintas?”. Num rompante de autoengano, as pulgonas argumentaram: “Isso é temporário. Já estamos pensando em fazer um trabalho de coaching com o ‘Sr. Morcego’ que nos ensinará a técnica do radar… E você?”.

– “Ah! Eu vou bem obrigada. Forte e sadia!”. E era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem alimentada, mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer e perguntaram: “Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma reestruturação, uma remodelagem?”.

– “Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora”, disse a pulguinha. “Hã? O que as lesmas têm a ver com pulgas?”. “Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas, mas em vez de dizer para lesma o que queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela passou três dias lá no canto dela, parada observando o cachorro e, então me deu o diagnóstico”. “E o que ela sugeriu?”, perguntaram as pulgas. “Que eu não mudasse nada em minha natureza. Apenas me sentasse no cocuruto do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança…”.

 

[2] A mudança que muitas pessoas buscam para lidar com os problemas interpessoais não vem da educação formal, cultural ou de uma mudança radical na personalidade. Vem de se aprender a agir de uma forma diferente da que tem agido comumente, assim como a pulguinha da história. Esta nova maneira de agir envolve combinar o que aprendemos sobre influencia, ética e naturalidade. Dito assim parece novidade, mas veja se reconhece pelo menos uma destas frases:

–“Nunca mais vão me fazer de bobo!”.

– “A partir de agora vai ser do meu jeito!”.

–“Não quero mais isso para minha vida. Vou mudar de vez com essa pessoa…”.

Todos nós já ouvimos frases como estas – se é que nós mesmos não as tenhamos dito várias vezes. No entanto, elas se referem a uma mudança de personalidade ou a um gerenciamento de impressões mais adequado? Por exemplo, sempre que você respeitar os três elementos da naturalidade, poderá gerenciar as impressões que causa em outras pessoas sem parecer ‘falso’. É neste sentido que, quando administramos as impressões que causamos em outras pessoas, estamos nos posicionando. É disso que trata este capítulo.

[3] Quando Al Ries e Jack Trout escreveram o livro Posicionamento – A batalha pela sua mente, eles explicaram a importância de uma empresa posicionar-se em seu mercado e os benefícios que isso traz. No entanto, quando uma empresa já atua no mercado há certo tempo, ela já tem um posicionamento, ou seja, as pessoas a veem de uma determinada maneira – já pensam algo sobre ela. Nestes casos, posicionar-se é reposicionar-se dentro de um contexto, para que o pensamento de seu público-alvo seja o mais próximo possível do que a empresa pensa de si mesma. Muitas vezes, a definição que a empresa tem de si mesma é distante do que os clientes, fornecedores e parceiros têm dela. Por isso o reposicionamento é tão valioso para que a empresa consiga atuar em seu mercado com sucesso.

[4] Da mesma forma, quando o que pensamos de nós mesmos não corresponde ao que os outros pensam de nós, é nossa responsabilidade dizer a elas quem somos e como queremos ser tratados. Os motivos para uma pessoa se reposicionar são muitos. Imagine como seria sua vida se você soubesse como colocar as pessoas no fluxo do campo social em que vocês estão. Como seria sua carreira se você tivesse a habilidade de ajustar aqueles que insistem em nadar contra corrente, perdendo tempo e dinheiro com esta atitude? Como seria sua vida se você conseguisse convencer os outros sem precisar recorrer a críticas, discussões e conflitos?

[5] A boa notícia é que a chave para posicionar-se como um comunicador competente está na aplicação dos cinco indicadores de sucesso que vimos anteriormente. Eles são a base para uma convivência saudável. Aprendê-los o ajudará a se reposicionar em seu campo social e em seus relacionamentos por melhorar sua habilidade com as pessoas. Ao aplica-los, você irá gradativamente mudando o modo como as pessoas o percebem e simultaneamente reposicionará a si mesmo. Sua mudança de comportamento desencadeará uma mudança no comportamento dos outros. O resultado que você pode esperar é uma vida livre dos problemas de comunicação.

[6] Mas como saber para onde e como se posicionar se você não souber exatamente onde está? Antes de começarmos a nos posicionar é importante fazer uma autoanalise para descobrir qual é seu potencial atual de comunicação – o quanto você é habilidoso com as pessoas. Em todo este livro você terá a oportunidade de fazer isso. O teste a seguir servirá como primeiro passo de sua trajetória.

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