Aula 23 Curso de Comunicação 27/06/2020

NUMA ALDEIA DISTANTE ao sul de Varsóvia, um de seus habitantes mais pobres, José, recebeu um bilhete de trem para visitar um primo muito rico. Ele chegou à ferroviária segurando o bilhete, mas como era a primeira vez que viajaria de trem, ficou acanhado e não sabia como agir. Ele percebeu que havia um grupo de pessoas bem vestidas e pensou que não deveria se sentar com elas. Virando-se para o fundo da estação, viu um grupo de malandros maltrapilhos achando que era melhor se juntar a eles.

[2] Pouco tempo depois, os passageiros da primeira classe embarcaram. O trem começou a se movimentar, mas os maltrapilhos ficaram esperando. Quando o trem soou seu apito e soltou fumaça, os malandros pularam para o vagão de bagagens e José entrou com eles. Agora embarcado, porém com medo, colocou seu bilhete no bolso e se escondeu entre as malas dos outros passageiros.

[3] De repente, o trem parou bruscamente e a porta do vagão de bagagens se abriu. O maquinista disse para penetras: “Posso ver os bilhetes de vocês?”. Os malandros não tinham bilhete, mas José tinha e para surpresa de todos, era de primeira classe! O maquinista analisou o bilhete e mandando-o descer daquele vagão para ser conduzido até o outro, disse a ele: “Meu rapaz, você tem um bilhete de primeira classe. O que está fazendo aqui? Quando se tem um bilhete de primeira classe o indivíduo deve se comportar como um passageiro de primeira classe!” (–).

[4] Essa metáfora deixa bem claro que às vezes, mesmo tendo um ‘bilhete de primeira classe’, não conseguimos reconhecer isso e acabamos perdendo boas oportunidades. Quantas pessoas você conhece que são menos competentes que você e, no entanto, estão em melhores condições profissionais que a sua? Mas o ponto principal desta metáfora é que ela também destaca um problema que afeta a maioria das pessoas no mundo de hoje: não saber qual é o seu lugar. Muitos, na tentativa de se afirmarem na vida, acabam evidenciando que não sabem qual é o lugar deles. Deste modo, a autoafirmação é um fenômeno relacional identificável pela sua ausência.

O fenômeno da autoafirmação se torna evidente quando uma pessoa não sabe qual é o seu lugar, e por isso se comporta mal, muitas vezes tentando se afirmar no lugar dos outros.

[5] Para entendermos realmente os efeitos prejudiciais disso é preciso considerar porque isso é importante. Em termos bem simples todo mundo quer “o seu lugar ao sol” e busca isso como uma forma de dar sentido a sua existência. Neste sentido, não saber qual é o seu lugar impede o sujeito de se afirmar como pessoa.

[6] Estudei num colégio no interior de Minas Gerais que depois teve seu prédio tombado como patrimônio histórico e hoje abriga um museu em minha cidade natal. Era uma propriedade antiga e as salas tinham um assoalho de madeira. Lá, tive uma professora de língua portuguesa, que chamávamos de “Tia Cirene”. Certo dia, enquanto voltávamos do intervalo, um dos alunos entrou rebolando na sala. Quando ele passou em frente à mesa da professora, ela, muita rígida, gritou com ele: “Pisa firme, moleque! Ponha-se no seu lugar!”. Creio que ao dizer que ele deveria ‘pôr-se no seu lugar’, ela queria ensinar algo muito mais profundo do que manter a disciplina em sala de aula. Ela tentava, à sua maneira, ensinar que existir é constante exercício de autoafirmação.

[7] Desde o nascimento temos que defender nosso espaço assim como o leão novo precisa conquistar um território. Para isso ele precisa derrotar o leão que já lidera o bando e do reconhecimento de todas as fêmeas e filhotes que vem até ele e esfregam a cabeça na juba dele como gesto de submissão. Entretanto, nas relações sociais entre humanos, a autoafirmação – a conquista de seu espaço – não gera reconhecimento ou submissão dos outros. Cada um está cuidando de encontrar o próprio lugar e quem sabe, ser líder de si mesmo.

[8] Embora esta questão da autoafirmação pareça óbvia demais, ela esconde uma dúvida permanente para muitos nos dias de hoje. Afinal, se não sei qual é o meu lugar como vou ocupa-lo? E ainda: se não ocupo o meu lugar posso tentar ocupar o do outro.  Entretanto, não saber qual é o seu lugar social é uma coisa. Muito pior é quando a pessoa perde a noção de qual é o seu lugar na vida. Por exemplo, quantas pessoas se rebaixam ao nível ontológico de animais de estimação referindo-se a eles como filhos? A incongruência aí reside no seguinte: dois seres humanos não geram um filhote de outra espécie. Embora possa imitar o comportamento de uma galinha, é impossível a ao ser humano botar um ovo. Não saber o seu lugar ontológico também tem aumentado o número de homens e mulheres que anseiam por papéis sexuais que não são os seus. Há muito mais envolvido do que o uso do direito sobre si. Envolve um aspecto biológico da sobrevivência da espécie humana. Tente imaginar o que aconteceria se, todas as pessoas no mundo (aproximadamente 8 bilhões de pessoas) se tornassem homossexuais e não se permitisse a eles voltarem a ser heterossexuais. Em 100 anos a raça humana estaria extinta. Desejar ocupar o lugar que não é o seu, não lhe dá o direito de fazê-lo.

[9] A falta de referenciais de autoridade também é um reflexo do desconhecimento do seu lugar. Nas gerações mais antigas, os pais, avós e tios representavam a autoridade e impunham limites. Hoje, os pais são mais próximos e participativos. No entanto, quando os mais jovens entram no trabalho esperam encontrar líderes que sejam tão participativos como seus pais, o que nem sempre acontece. Muitos pais, ao participar demais da vida dos filhos, acabam fazendo com que eles não aprendam o principio da meritocracia – tão valorizado no ambiente do trabalho. Esta visão de que o chefe é ‘apenas um colega com poder de decisão’ revela desconhecimento do que é uma hierarquia (Lancaster, 2011, p. 230).

[10] Como consultor, escuto com frequência alguns colaboradores dizerem: “Eu é que deveria estar no lugar de líder e não aquele idiota do meu chefe!” Entretanto, quando pergunto por que não se empenham para alcançar a liderança – já que se consideram preparados – eles respondem que tem dúvidas em relação ao que querem da vida. Ou seja, olham para a posição do outro e a desejam, porém, em suas próprias vidas – um aspecto de sua inteira responsabilidade – o sujeito admite estar indeciso. Ora, se o indivíduo não sabe o que é melhor para si mesmo, como haveria de saber o que é melhor para os outros? Por não saber qual é o seu lugar, a pessoa almeja um lugar que não é para ela tentando se afirmar da maneira errada.

[11] Algumas pessoas – por não saber o seu lugar – aceitam viver um “Relacionamento Bonsai”. Sempre acreditei que o bonsai era a espécie de planta e que, por isso ela era pequenina. No entanto, bonsai é o nome da técnica de cultivo, que significa “cultivar em um vaso raso”. As plantas cultivadas com esta técnica envelhecem sem atingir o seu potencial natural porque são mantidas dentro de um vaso raso e, por terem pouca terra a seu dispor, a planta não cria raízes. Assim ela permanecerá pequena. Com esta técnica pode se manter um pé de laranja com 30 centímetros. Um abacateiro que, naturalmente atingiria 5 metros de altura, ficará limitado a 50 centímetros. Da mesma forma, há relacionamentos familiares e afetivos, que mantém a pessoa que não sabe o seu lugar em um estado de instabilidade emocional. A pessoa não consegue criar raízes que a fortaleçam e deem condições para que ela alcance todo o seu potencial. Entretanto, diferente das plantas, o ser humano pode escolher viver o seu potencial, viver fora de um vaso raso e não envelhecer pequeno num relacionamento instável.

[12] Ainda outros – por não saber o seu lugar – cedem à tentação de rebaixar os demais. Sei que você conhece gente que não se enxerga, mas apenas para ilustrar a futilidade destas personalidades: no filme Homem de Ferro (2008) Tony Stark (Robert Downey Jr) sai com uma repórter que passa a noite em sua mansão. No dia seguinte, a moça acorda sozinha na cama e sai para passear pela casa, enrolada no lençol. Neste instante, ela se depara com a assistente pessoal do milionário, Pepper Potts, (Gwyneth Paltrow). Ao dizer para a repórter que sua roupa já estava limpa e disponível, e que um carro a levaria até a cidade, a jornalista em tom sarcástico, quis menosprezar a assistente, dizendo: “Você deve ser a famosa Pepper Potts… Até hoje o Tony ainda te faz pegar a roupa na lavanderia…?”.

[13] Ora, o fato de ter passado a noite com um milionário, não a tornou mais importante que a assistente dele! Entendendo o teor da mensagem, a assistente respondeu: “Faço tudo o que o senhor Stark manda. Inclusive colocar o lixo para fora de vez em quando”. Lembre-se de que a assistente há poucos minutos havia entregado a roupa da repórter e informado a ela que um carro estava a sua espera para leva-la embora… A quem o leitor acha que ela se referia quando usou a palavra “lixo”?

[14] Este diálogo ilustra bem o que acontece quando a pessoa não sabe o seu lugar nas relações interpessoais. O fato de que, quando não me aceito tenho dificuldades para aceitar o outro, parece ser verdadeiro e aplicável aqui. Quando a pessoa não sabe o seu lugar ela quer parecer importante diminuindo o lugar (entenda-se posição) do outro. Tenta rebaixar o outro se comportando como alguém “superior” mesmo sem assim o ser. No exemplo da repórter, apenas uma aproveitadora oportunista que tentava se posar de superior. Deste modo, é comum encontrar um sujeito que pensa ser o que não é e não consegue reconhecer o que de fato é, o que nos leva à mais um desdobramento de não saber qual é o seu lugar: comportar-se de maneira inadequada.

[15] A autoafirmação nos é imposta ao nascer. Porém, ela se tornou um problema para muitos, porque tentar se firmar na vida sem saber qual é o seu lugar é como instalar um poste no meio da rua. Atualmente, as pessoas não sabem o seu lugar e, em geral, tentam se afirmar no lugar errado. E para isso, muitas delas se comportam de forma bastante característica. Embora não goste de comparar o ser humano com outros seres abaixo de seu nível ontológico, creio que neste caso uma analogia deste tipo se aplique, visto que estou falando de comportamentos. Além do mais, é fácil perceber mais abertamente as coisas quando as ‘olhamos de fora’. Vejamos como muitos tentam se afirmar na vida através de estilos de comportamento diferentes.

[16] Imagine, por exemplo, o comportamento de algumas raças de cães. Diante de situações de conflito, é mais fácil ser agressivo como um pit-bull, que até mesmo em sua postura corporal nota-se sua disposição beligerante e agressiva. Assim como seu equivalente canino, o indivíduo humano com comportamento agressivo expressará clara e sinceramente suas opiniões e sentimentos, porém em crasso desrespeito pelos direitos dos outros. Seu posicionamento diante dos outros é hostil, depreciativo e ameaçador chegando a fazer comentários humilhantes e insultos, ou indiretamente, falando com sarcasmo, maledicências, termos depreciativos e sugerindo intrigas. É claramente percebido pelos seus gestos que beiram à violência física e as ameaças verbais que mais parecem latidos.

[17] Mas diante da mesma situação de conflito, a pessoa pode se comportar como um basset que de tão passivo, acaba sendo deixado de lado pela sua baixa atividade cardíaca. Seu ‘sangue de barata’ o faz deixar com que os outros façam tudo com ele. O comportamento humano, se passivo, fica evidente quando o indivíduo se limita a não expressar suas necessidades, emoções ou opiniões. Assim, ele é o primeiro a desrespeitar seus próprios direitos, visto que consente em fazer aquilo que desaprova apenas para não contrariar os demais ou deixar de fazer algo que lhe foi solicitado. É como o exemplo clássico do compadre que visita o outro e, mesmo sem estar com vontade de tomar café, aceita para não “fazer desfeita” ao amigo. Quando uma pessoa com comportamento passivo discorda de algo, com frequência não manifesta seu desacordo, acabando por dizer “sim” quando na realidade, queria dizer “não”. Por desrespeitar a si mesmo, acaba incentivando os outros a desrespeitá-lo também.

[18] O terceiro comportamento comum nos relacionamentos pode ser ilustrado pelo poodle, que aparentemente está feliz no ambiente e de repente, começa a latir estridentemente e é capaz de avançar até contra o dono. Este é o comportamento passivo-agressivo. Aqui nota-se um comportamento misto, caracterizado pela busca dos próprios interesses desrespeitando os direitos dos outros. O passivo-agressivo expressa suas emoções e opiniões com mensagens ambíguas, conversa dúbia e argumentos contraditórios. No ambiente de trabalho, às vezes age com chantagem emocional ou paternalismo, oferecendo recompensas, fingindo interesse nos outros. É fácil perceber este tipo de comportamento quando a pessoa concorda em fazer algo – dizendo que o fará com prazer – mas sua expressão facial é contraditória: há uma discrepância entre a linguagem verbal e a corporal. Muitas vezes promete e não cumpre. Isso quando não fala através de uma indireta, esperando que o outro adivinhe o que ele quer dizer. Às vezes são muito simpáticos em outras, carrancudos. Ao mesmo tempo em que está calmo (passivo), pode reagir com uma explosão (agressividade) a qualquer sinal de ameaça a seus interesses.

[19] Há também o comportamento indefinido, aqui representadopelovira-lataque vive na rua. Repare por favor, em qualquer cachorrinho que viva perto de sua casa. Ele chega, para perto de você como quem não quer nada. Quando você chega de sua caminhada matinal ele vem abanando o rabinho ‘jogando verde para colher maduro’. Quando você compra um sapato novo e sai de casa com ele pela primeira vez, o vira lata te estranha – não reconhece os seus passos à primeira vista e tenta mostrar que está atento, rosnando para você ou com o latido meio rouco – tentando passar uma imagem de guarda’. Ele nem demonstra que ama você, nem que te odeia. Vai para a primeira casa que abrir a porta para ele. Fica ali, te rodeando. Acompanha você quando vai à padaria a pé no domingo de manhã… E quando você o chama, faz de conta que não te conhece!

[20] Da mesma forma, existem pessoas que chegam perto da gente e param ali sem falar nada. É o famoso “sapo”. Em geral, não são agressivos nem passivos. Simplesmente não sabem seu lugar porque não tem um lugar para eles. São aqueles sujeitos que falam indiretamente, criam caso sem motivo válido. Quando contrariados falam grosso, fazem caretas. Falam com a pessoa errada, são precipitados. Ficam andando por aí e quando surpreendidos, se fazem de importantes. Concordam com tudo esperando uma oportunidade de ‘boa figura’ perante os outros.

[21] Imagine por um instante a quantidade de problemas emocionais que surgem destes comportamentos. Conte comigo: (1) desentendimentos, (2) frustrações, (3) intrigas, (4) controvérsias, (5) negociações perdidas, (6) casamentos desfeitos, (7) famílias que tem membros que não se falam há anos, (8) discussões fúteis – e a lista não para.

[22] Agora, considere o equivalente canino para o comportamento assertivo, que pode ser ilustrado pelo posicionamento do cão da raça pastor alemão. Quando ele percebe alguma situação diferente no ambiente em que está logo levanta as orelhas e fixa a atenção. Esta postura deveria ser o suficiente para fazer com que o invasor parasse. O cão pastor consegue numa fração de segundo descobrir a intenção do outro pela simples observação do comportamento. Observa primeiro, age depois. Sua escuta é perspicaz o bastante para perceber além do óbvio. Se o comportamento do outro for uma ameaça, ele resiste e avança. Se for de paz, ele faz festa. Mas se perceber que se trata de um ataque, ele contra-ataca. É como se o cão pastor agisse para evitar o conflito sem precisar morder o outro, mas ainda assim preservando o seu espaço.

[23] É exatamente isso que significa agir com assertividade. Não é reagir primeiro e pensar depois como o Pit-Bull, nem se fazer de bobo como o Basset, dar uma de Poodle e atacar pelas costas ou ficar rodeando os outros como Vira-Lata sem nunca granjear o respeito deles. Nenhum destes estilos de comportamento satisfaz nossa necessidade de autoafirmação.

*

[24] A assertividade é a atitude que lhe permite escolher o melhor tipo de comportamento em razão das circunstâncias. Ela é a chave para a autoafirmação. Ter uma atitude assertiva é aprender a interpretar diversos comportamentos (agressivo, passivo, passivo-agressivo e indefinido) de acordo com as situações sociais em que estivermos. Por exemplo, diante de um assalto, o criminoso (que pela natureza da profissão é agressivo) não terá tempo nem interesse em saber sua opinião sobre o comportamento dele e muito menos sobre seus sentimentos e necessidades. Neste caso, em que a hora é errada, pode não ser o mais indicado insistir em afirmar sua opinião porque isso pode custar-lhe a vida. Em outros casos, em que não há tempo para tomar uma decisão importante e preservar o bem estar de todos, pode ser justificável agir com agressividade. Como viver é semelhante a interpretar papeis, a assertividade é ‘como o diretor da peça’ que dita como e quando os papeis devem entrar em cena e de que modo devem ser interpretados em cada situação. Neste aspecto a assertividade também se torna um comportamento, mas ela deve ser entendida, primeiramente, como uma atitude mental. Por quê?

[25] Tem se dito que a assertividade é a habilidade de fazer afirmações sobre si mesmo, expondo seus pensamentos e sentimentos com clareza ao defender seus direitos, respeitando os direitos dos outros. Note que há muita coisa envolvida: Para fazer afirmações sobre si mesmo é preciso conhecer-se. Para expor seus pensamentos e sentimentos é necessário ter consciência deles. Para defender seus direitos sem desrespeitar os dos outros é preciso ter a capacidade analítica de avalia-los e o equilíbrio entre moral e ética.

[26] Lembre-se também que uma asserção é uma afirmação. Logo, fazer asserções (comportamento) é apenas o ato de fazer afirmações – que podem ser verdadeiras ou falsas. Mesmo o comportamento assertivo pode levar a pessoa a se afirmar da maneira errada caso ela não saiba o seu lugar. Sem entender a assertividade (capacidade de fazer afirmações sobre si mesmo) como uma atitude mental, uma pessoa pode acreditar que somente repetir um script pronto torna-la-á assertiva. É por isso que muitos acabam de ler um livro sobre “comportamento assertivo” e saem repetindo regras, sem antes entender que a atitude de fazer afirmações sobre si mesmo tem mais a ver com autoconhecimento do que com fórmulas.

 [27] Pense um pouco em sua própria experiência. Talvez você já tenha se sentido estressado diante de um problema sem saber como resolvê-lo… Ou então pode ter saído de uma situação em que disse o que queria e depois se arrependeu… Ou durante uma discussão em que você ficou sem reação e depois que o outro foi embora, pensou: “Deveria ter dito isso para ele. Da próxima vez ele vai ver!”. Por que da “próxima vez?” Por que não disse na hora? Provavelmente você sabe qual é a sensação de não ser levado a sério, de não sentir-se respeitado. Talvez você conheça pessoas que estejam passando por tudo isso agora mesmo. Pode ser que você esteja enfrentando estes problemas neste exato momento. Se for assim, sei como você se sente e também sei por que isso acontece. Como já estive nesta situação e consegui sair, vou ajuda-lo a desenvolver sua assertividade. Mas antes, é preciso responder a uma pergunta: Porque as pessoas não se guiam pela assertividade se ela é a melhor maneira de praticar a autoafirmação?

*

 [28] As causas da não asserção (leia-se da não afirmação) não são tão evidentes. Entre os cientistas sociais há um consenso de que as pessoas evitam agir com assertividade, às vezes por falta de confiança em si. Outras vezes por falta de percepção em enxergar o problema e identificar-se com ele. Em outros casos, por não ter a habilidade, ou seja, por não saber como agir. Neste último caso, a pessoa até se incomoda com determinadas pessoas e situações sociais, mas não sabe que o que pode estar faltando é assertividade. Mas nos dois primeiros casos, as raízes são ainda mais profundas. Por exemplo, suponhamos que a pessoa não aja de modo assertivo por que lhe falta autoconfiança. Neste caso, a pergunta correta é a seguinte: porque ela não confia em si mesma? Suponhamos que a causa da não-assertividade é a falta de percepção do problema. Neste caso, o que impede o sujeito de saber se o problema é dele ou não?

[29] A habilidade de tratar um problema é algo que se aprende. A autoconfiança e o ‘semancol’ normalmente são ensinados também. Este senso de responsabilidade nos é apontado ao longo da vida e nos dá noção de qual é o nosso papel em determinadas situações. Àquela, no entanto, é fruto de nossa formação ainda na infância. Partindo destes pressupostos, comecei minha pesquisa sobre as reais causas da dificuldade das pessoas para a autoafirmação e descobri que a falha está no modo como aprendemos a nos relacionar e a na confusão em relação a si mesmo.

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